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Capa do livro A Camponesa que Venceu Mil Rainhas

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A Camponesa que Venceu Mil Rainhas

O que Cantares ensina sobre amor, desejo e aliança no casamento.

Pr. Roseno Francisco Ribeiro JuniorComeçar a leitura ↓

Apresentação

A sabedoria de uma mulher de aliança

A Sulamita não era uma princesa escondida atrás de cortinas de linho. Ela não aparece em Cantares como uma mulher de palácio, cercada de títulos, luxo e vantagens. Era uma camponesa marcada pelo sol, pela vinha, pelo trabalho e pela simplicidade.

Mesmo assim, foi ela que venceu mil rainhas.

Não venceu disputando beleza, posição ou aparência. Venceu porque compreendeu algo que muitos casais perderam: amor precisa de cultivo.

Cantares mostra uma mulher que conhecia suas marcas, mas não permitia que elas anulassem sua formosura. Uma mulher que sabia desejar, procurar, convidar, guardar, esperar e falar com admiração. Também mostra um amado que sabia contemplar, elogiar e reconhecer a beleza da mulher da sua aliança.

Este livro é um convite para olhar para o casamento com menos religiosidade vazia e mais verdade bíblica.

O casamento não é apenas uma instituição social. É aliança. E aliança envolve corpo, alma, espírito, palavra, ambiente, fidelidade, prazer, perdão e responsabilidade.

Muitos casais estão procurando fora de casa aquilo que Deus planejou para florescer dentro dela. Alguns procuram em pornografia, redes sociais, flertes, trabalho excessivo, distrações, vícios ou relacionamentos emocionais perigosos. Outros apenas se acostumaram com a frieza e já nem percebem que o jardim secou.

Mas Deus sabe restaurar jardins.

Ao longo destas páginas, vamos caminhar por Cantares e por outros textos bíblicos, olhando para temas que nem sempre são tratados com coragem: identidade, comparação, desejo, cuidado com o corpo, honra, intimidade, quarto, palavras, ambiente da casa, paz, prazer conjugal e amor de aliança.

Não leia este livro como um manual de acusação. Leia como um chamado. Talvez Deus não queira apenas que você entenda a Sulamita. Talvez Ele queira restaurar o jardim da sua casa.

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Introdução

O livro que a igreja lê baixo demais

Tem livro da Bíblia que a gente lê sem dificuldade. Salmos consola, Provérbios aconselha, Romanos ensina doutrina, Apocalipse desperta a igreja. Mas existe um livro que muita gente lê quase pedindo licença, como se tivesse vergonha de ele estar nas Escrituras.

Cantares de Salomão.

Um livro que fala de amor, corpo, perfume, beijo, desejo, saudade, procura, encontro, pele, voz, olhos, cabelos, frutos, jardim e entrega.

E a pergunta é simples: se Deus não quisesse tocar nesse assunto, por que esse livro estaria na Bíblia?

A verdade é que Deus nunca teve vergonha do amor que Ele mesmo criou. Quem muitas vezes tem vergonha somos nós. Vergonha por causa do pecado, dos traumas, dos abusos, da religiosidade e de interpretações que ensinaram muita gente a orar bastante, mas sem saber lidar com o próprio casamento, com o corpo, com o quarto, com o toque, com o desejo e com a intimidade da aliança.

Cantares incomoda porque tira o casamento do campo da teoria. Ele mostra que amor não é apenas discurso bonito, culto de domingo, aliança no dedo e foto de família. Amor também tem cheiro, palavra, ambiente, pele, saudade, presença, reconciliação, desejo e cuidado.

A Sulamita não aparece como uma princesa de palácio. Ela era uma camponesa queimada de sol, marcada pelo trabalho, pela vinha e pela simplicidade da vida. Mesmo assim, foi a voz dela que atravessou os séculos.

Entre rainhas, concubinas e mulheres sem número, foi aquela camponesa que ficou registrada. O amor dela virou poesia. O jardim dela virou símbolo. O perfume dela ainda fala. A forma como ela desejava, procurava, esperava, convidava e se entregava continua ensinando casais até hoje.

A Sulamita não teve sorte. Ela entendeu o amor.

Entendeu que amor precisa de cultivo, que desejo não nasce em ambiente abandonado e que palavras podem acender ou apagar um coração. Entendeu que o corpo dentro da aliança não é pecado, é presente. Entendeu que jardim fechado não é prisão, é proteção.

É aqui que muitos casais precisam acordar. Tem mulher jejuando para Deus segurar o marido, mas destruindo a casa com a própria boca. Tem homem orando por uma esposa mais carinhosa, mas tratando a mulher com frieza, grosseria e ausência. Tem casal fazendo campanha, subindo monte, pedindo oração, mas sem mudar uma atitude dentro de casa.

E eu não estou diminuindo oração. Quem me conhece sabe que eu creio no poder da oração. O que estou dizendo é que oração não substitui sabedoria. Jejum não substitui diálogo. Culto não substitui carinho. Bíblia aberta no púlpito não compensa frieza dentro do quarto.

Casamento não é só conta paga, comida na mesa, filho criado e culto no domingo. Casamento também é olhar, cheiro, palavra, abraço, desejo, reconciliação, beleza, descanso, riso, entrega e aliança.

Cantares é um convite para voltar ao jardim. Não ao jardim da fantasia, mas ao jardim da aliança. O lugar onde o amor não precisa se esconder, onde o desejo não precisa ser tratado como sujeira, onde o corpo não é inimigo da fé, onde o marido não é apenas provedor, onde a esposa não é apenas mãe dos filhos e onde o prazer pode ser vivido com santidade, respeito e honra.

Este livro não foi escrito para vulgarizar Cantares. Também não foi escrito para jogar todo peso sobre a mulher ou transformar o homem em alguém que só precisa ser agradado. Este livro é um chamado para o casal acordar.

A mulher precisa voltar a cuidar do seu jardim. O homem precisa voltar a honrar a mulher da sua aliança. O casal precisa parar de tratar o casamento como rotina morta. E a igreja precisa falar com maturidade sobre aquilo que a Bíblia nunca escondeu.

A camponesa venceu mil rainhas porque sabia algo que muita gente esqueceu: quem cultiva bem o jardim não precisa viver competindo com o palácio dos outros.

Pegue o bizu com a Sulamita. E permita que Deus mude a realidade do seu relacionamento.
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Capítulo 1

A camponesa queimada de sol

“Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém... Não olheis para eu ser morena, porque o sol me queimou.”Cantares 1:5-6

A Sulamita não começa a história tentando esconder quem ela é. Ela não pede desculpas pela própria aparência, não tenta negar suas marcas, nem se apresenta como alguém inferior porque foi queimada pelo sol.

Ela simplesmente diz: “Eu sou morena, porém formosa.”

Essa frase carrega uma força enorme. A Sulamita sabia que sua pele tinha marcas. Sabia que não vinha de palácio. Sabia que sua aparência revelava trabalho, vida simples, esforço e exposição ao sol. Mas também sabia que nenhuma dessas marcas tinha poder para apagar sua formosura.

O sol queimou, mas não destruiu.

Muita mulher precisa ouvir isso de novo. Depois da maternidade, da rotina, das lutas, das comparações e das cobranças, muitas deixam de se enxergar como mulheres. Passam a se ver apenas como função: mãe, esposa, trabalhadora, dona de casa, cuidadora, serva, responsável por tudo e por todos.

E quando olham para si mesmas, só enxergam o que mudou. O corpo mudou, o rosto cansou, a disposição diminuiu, a leveza parece ter ficado em algum lugar do passado. Mas a marca do tempo não cancela a beleza de uma mulher.

A Sulamita era marcada, mas era formosa. Era simples, mas tinha presença. Não nasceu entre rainhas, mas entrou para a história.

Antes de falar de perfume, quarto, jantar, lingerie, sedução e intimidade, precisamos falar de identidade. Porque uma mulher que não sabe quem é pode até tentar se arrumar por fora, mas continuará pedindo validação por dentro. E casamento não se sustenta apenas com aparência. Precisa de alma curada.

A Sulamita também diz uma frase muito séria: “Puseram-me por guarda de vinhas; a minha vinha, porém, não guardei.” Ela cuidou de vinhas dos outros, mas descuidou da própria vinha.

Quantas mulheres vivem exatamente assim? Cuidam da casa, dos filhos, do trabalho, da igreja, dos parentes, dos problemas dos outros, mas quando olham para dentro, a própria vinha está seca.

Às vezes, não é falta de amor. É excesso de abandono de si mesma.

E aqui precisamos ser justos. Muitas mulheres não se descuidam por preguiça. Elas se descuidam porque estão sobrecarregadas. Carregam casa, filhos, trabalho, comida, escola, igreja, família e emoções de todo mundo. No fim do dia, ainda esperam que estejam leves, perfumadas, sorrindo e prontas para amar. Não é assim que funciona.

O homem que quer uma esposa viva precisa ajudar a tirar peso dela. Não dá para esmagar a mulher durante o dia e cobrar jardim à noite. Jardim pisado não floresce.

Mas a mulher também precisa entender uma coisa: se ela abandonar completamente a própria vinha, ninguém vai cuidar dela no lugar dela. É preciso pedir ajuda, conversar, organizar o possível e voltar a se olhar com carinho.

Isso não é vaidade vazia. É cuidado com a vida que Deus deu. Vaidade vive de aplauso; cuidado nasce de valor.

Talvez esse seja o primeiro chamado deste livro: volte para sua vinha.

Não para competir com ninguém, nem para segurar marido na força da aparência, nem para viver escrava de padrão nenhum. Volte porque você tem valor. Volte porque Deus não te fez apenas para funcionar. Volte porque uma mulher não pode passar a vida inteira cuidando de tudo e se perdendo de si mesma.

A camponesa queimada de sol nos ensina que uma mulher não precisa negar suas marcas para ser formosa. Ela só não pode permitir que as marcas contem a história inteira.

Ela não nasceu rainha, mas floresceu. E quem floresce de verdade não precisa imitar palácio.

Oração

Senhor, cura em mim toda vergonha que me fez esquecer o meu valor. Restaura minha identidade, minha alegria e minha forma de amar. Ensina-me a cuidar da vinha que o Senhor me confiou, sem abandonar minhas responsabilidades, mas também sem me perder dentro delas. Livra-me da comparação, da frieza e do descuido. Em nome de Jesus, amém.

Desafio prático

Antes de seguir, olhe para sua vida com sinceridade: que parte da sua vinha ficou abandonada? Sua alma, seu corpo, suas palavras, seu casamento, seu quarto, sua alegria? Não responda com pressa. Às vezes, o jardim começa a ser restaurado quando a gente finalmente tem coragem de olhar para o que estava seco.

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O jardim ainda pode florescer.

Continue esta leitura e descubra os ensinamentos da Sulamita para o amor, o desejo e a aliança no casamento.

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